Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

TESTE PORTUGUÊS ÁLVARO DE CAMPOS - ODE TRIUNFAL

ÁLVARO DE CAMPOS

 

Nascido a 1890 é o heterónimo que irrita Fernando Pessoa.

Poeta modernista que nos seus poemas isola o lado emotivo bem como todas as sensações sentidas de todas as maneiras, um lado ao qual chamou sensacionista.

 

 

MOTIVOS POÉTICOS 

  • Futurismo (apologia da civilização industrial e técnica, ruptura com lírica tradicional e transgressão da moral estabelecida, exaltação da força, da violência, do excesso. Álvaro dá importância ao movimento, ao dinamismo e á velocidade. Usa corrente modernista cujo objetivo é fazer uma apologia da civilização moderna. Usa discurso futurista com um tom hiperbólico, pontuação expressiva, interjeições, onomatopeias, sinestesias – tentativa de captar o som ou movimento tornando o texto dinâmico)
  • Sensacionismo (excesso de sensações euforia desmedida, sentir tudo de todas as maneiras num ambiente industrial e moderno)
  • Pessimismo e intimismo (inadaptação ao real, abulia, tédio, cansaço, solidão, frustração e tristeza, dor de ser lúcido)
  • Nostalgia da infância para sempre perdida

 

 

ESTILO E LINGUAGEM

  • Excesso de expressão – pontuação emotiva (exclamações, interjeições)
  • Uso de neologismos e empréstimos
  • Recurso a metáforas ousadas, personificações, hipérbatos, oximoros
  • Construções nominais, infinitivas e gerundivas
  • Verso livre, geralmente longo

 

 

FIGURAS DE ESTILO PRESENTES

 

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, (apóstrofes) r-r-r-r-r-r (onomatopeia) eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora, (hipérbole)
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!

Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera.
Amo-vos carnivoramente,
Pervertidamente e enroscando a minha vista
Em vós, ó coisas (apostrofes) grandes, banais, úteis, inúteis,
Ó coisas todas modernas,
Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima
Do sistema imediato do Universo!
Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!

Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks,
Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes --
Na minha mente turbulenta e incandescida
Possuo-vos como a uma mulher bela,
Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama,
Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.

Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos, brocas, máquinas rotativas!

Eia! eia! eia!
Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!  (anáfora)
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia, eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!

Eia! (anáfora) e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia (anáfora)e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!

Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!

Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-lá! He-hô Ho-o-o-o-o!
(deliterações)
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!

Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!

 

 

 

CARACTERISTICAS DO POETA NO POEMA

 

Em todas as estrofes há sensações visuais e elogio ao futuro

 

À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica (sensação visual)( futurismo)
Tenho febre (dor) e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes (sensações auditivas), fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno! (sensações auditivas)
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos (sensações gustativas), ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões ( sensações olfativas)
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!

Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera.
Amo-vos carnivoramente,
Pervertidamente (transgressão da moral estabelecida) e enroscando a minha vista
Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,
Ó coisas todas modernas,
Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima
Do sistema imediato do Universo!
Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!

Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks,
Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes --
Na minha mente turbulenta e incandescida
Possuo-vos como a uma mulher bela,
Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama,
Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.

Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos, brocas, máquinas rotativas!

Eia! eia! eia!
Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia, eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!

Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!

Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!

Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-lá! He-hô Ho-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!

Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!


 

 

ANALISE FORMAL DO POEMA

 

Classificação do verso de acordo com o número de sílabas

  • Monossílabo : 1 sílaba
  • Dissílabo : 2 sílabas
  • Trissílabo : 3 sílabas
  • Tetrassílabo: 4 sílabas
  • Pentassílabo ou Redondilha Menor: 5 sílabas
  • Hexassílabo ou Heróico Quebrado: 6 sílabas
  • Heptassílabo ou Redondilha Maior: 7 sílabas
  • Octossílabo: 8 sílabas
  • Eneassílabo: 9 sílabas
  • Decassílabo: 10 sílabas
  • Hendecassílabo: 11 sílabas
  • Dodecassílabo: 12 sílabas poéticas.
  • Bárbaro: 13 ou mais sílabas poéticas.

 

Classificação da estrofe de acordo com o número de versos

  • 1 verso - Monóstico
  • 2 versos - Dístico
  • 3 versos - Terceto
  • 4 versos - Quarteto ou quadra
  • 5 versos - Quintilha
  • 6 versos - Sextilha
  • 7 versos - Septilha
  • 8 versos - Oitava
  • 9 versos - Nona
  • 10 versos - Décima
  • Mais de dez versos - estrofe irregular.

 

Classificação do tipo de rima 

  • Cruzada ou alternada: O primeiro verso rima com o terceiro, e o segundo com o quarto.

  • Interpolada ou intercalada: Frequentemente usada em sonetos, o primeiro verso rima com o quarto, e o segundo com o terceiro.

  • Emparelhada: O primeiro verso rima com o segundo, e o terceiro com o quarto…

  • Encadeada ou internas: Quando rimam palavras que estão no fim do verso e no interior do verso seguinte:

  • Misturadas: Não tem ordem determinada entre as rimas.

  • Versos brancos ou soltos: São os versos que não têm rima.

 

 

PESQUISA DE INTERNET

 

Orientações de Leitura do Poema

  • A estética não aristotélica (estética da força, em oposição à estética da beleza) realiza-se em textos eufóricos, triunfalistas, sensacionistas, cantando o espasmo da vertigem das sensações provindas das máquinas, das realizações da técnica industrial e dos ruídos das multidões.
  • Álvaro de Campos pretende “sentir tudo de todas as maneiras”, por isso transporta para este poema toda a gama de sensações, mesmo as que provêm de grupos marginais. Todavia, a sua atitude transbordante não esconde a manifestação de uma crise, que é, de certa maneira, a doença da civilização moderna. Daí os aspetos negativos ironicamente focalizados.
  • É necessário distinguir neste texto aspetos de modernismo, de sensacionismo e de futurismo.
  • É possível distinguir neste texto, apesar da sua extensão, uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão.
  • O tempo merece também uma atenção especial, já que são anuladas as fronteiras entre passado, presente e futuro. O presente é o instante, a concentração de todos os tempos.
  • É, ainda, necessário distinguir, neste poema, 2 forças: uma centrífuga, que leva o sujeito poético a desejar a materializar-se nas máquinas e outra centrípeta, que leva as máquinas a serem humanizadas.

 

Título e Conteúdo do Poema

  • Ode

A Palavra “ode”, de origem grega, significa “um cântico laudatório de uma pessoa, de uma instituição ou de um acontecimento”.

  • Triunfal 

Com este adjetivo ou epíteto, que significa “grandioso”, “espetacular”, o poeta pretende não só vincar mas também hiperbolizar significado de “ode”.

 

O título desta “Ode” dá-nos, pois, desde logo, a sensação de qualquer coisa grandiosa, não apenas no conteúdo, mas também na forma. Assim sendo, o título deste poema pode explicar-se da seguinte forma: Ode é porque uma composição poética lírica destinada a cantar algo de elevado.

Triunfal é porque é a celebração da modernidade, do triunfo da civilização técnica e industrializada.

 

Espírito do Poeta face ao mundo da grande técnica moderna – influência de Pessoa-ortónimo

Ideal de A. Campos neste poema = “sentir tudo de todas as maneiras”; sentir tudo numa “histeria de sensações”; sentir tudo e identificar-se com tudo, mesmo com as coisas mais aberrantes (“Ah!, poder exprimir-me todo como um motor se exprime! / Ser completo como uma máquina!/(...) / Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto, / Rasgar-me todo, abrir-me completamente, (...)/ A todos os perfumes de óleos e calores e carvões(...), vv.26-31)

Todo o prazer do poeta está, pois, em revelar-se como um “monte confuso de forças”, um “eu” universo donde jorra a volúpia sensual de ser tudo, uma espécie de “prostituição febril às máquinas”. Este ideal é o oposto do ideal da estética aristotélica, que punha toda a ênfase na ideia da beleza, no conceito do agradável, no equilíbrio comandado pela inteligência.

Na poesia de Campos, em vez da bela harmonia clássica saída da clara inteligência, há a caótica força explosiva saída de um subconsciente em convulsão. A sua poesia revela-se, assim, como um novo processo de descompressão do subconsciente de Pessoa, sempre torturado pela inteligência, pela “dor de pensar”.

 

Aspetos onde se pode verificar a influência de Pessoa-ortónimo

  • Na visão irónica da outra face da sociedade industrial (visão negativa). Ao longo do poema, há um desfilar irónico dos escândalos da época: a desumanização, a hipocrisia, a corrupção, a miséria, a pilhagem, os falhanços da técnica (desastres, naufrágios), a hipócrita harmonia entre marido e mulher, etc. Nesta enumeração pode entrever-se o substrato séptico da inteligência torturada de Pessoa;
  • Na evocação nostálgica da infância (“Na nora do quintal da minha casa... /(...)/Pinheirais onde a minha infância era outra coisa/ Do que eu sou...”);
  • No facto de haver uma tendência para a ficção. Se se reparar bem, o entusiasmo da civilização industrial assume, em Campos, aspetos de um certo masoquismo sádico (“Atirem-me para dentro das fornalhas!”, que se orienta mais para a criação de sensações novas e violentas (Sensacionismo), do que para a exaltação das máquinas. Relativamente a este aspeto convém não esquecer que F. Pessoa subordinava tudo à criação literária.

 

Traços do real que envolve e quase submerge o sujeito poético

  • “lâmpadas eléctricas da fábrica”
  •  “das máquinas e das luzes eléctricas”;
  • “rodas, engrenagens”
  • “correias de transmissão (...), êmbolos (...), volantes”

 

Trata-se, pois, de um ambiente moderno, mecânico, dominado pela técnica e pela evolução industrial.

Comparando com o “real” de Caeiro, podemos afirmar que aqui a natureza é substituída pela visão do mundo moderno e “supercivilizado”, com o qual o sujeito poético estabelece uma estranha ligação, eufórica e exaltada, mas revelando, também, um erotismo frenético e quase doentio.

 

Perceção do real pelo sujeito poético

O modo como o sujeito poético perceciona o real, baseia-se num excesso de sensações: “(...) excesso / De expressão de todas as minhas sensações”

  • Visuais: forma – “Ó rodas, ó engrenagens (...)”; luminosidade – “À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas (...)” ; movimento – “Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes”.
  • Auditivas: “(...) r-r-r-r-r-r eterno!”, “De vos ouvir demasiadamente de perto”; “Rugindo, rangendo (...)”, v. 24;
  • Olfactivas: “A todos os perfumes de óleos e calores e carvões”.
  • Gustativas: “Tenho os lábios secos (...)”;
  • Tácteis: “Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.”

 

Aspetos relacionados com a linguagem e com o estilo (o “excesso das sensações” determina o “excesso da expressão)

Álvaro de Campos apresenta um estilo desordenadamente torrencial, mas expressivo das convulsões da alma.

O sujeito poético surge-nos neste poema como cantor de uma civilização industrial. A fábrica aparece como motivo inspirador, que, ao mesmo tempo, o atrai e o enfraquece:  “À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica /Tenho febre e escrevo./ Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto...”.

As expressões “dolorosa luz”, “tenho febre”, “rangendo os dentes”, traduzem o estado nevrótico do poeta, ou seja as perturbações do seu sistema nervoso.

Há, portanto, da parte do poeta, um sentimento de repulsa (“fera para a beleza disto”) e de paixão pela vida moderna, pela civilização industrial: “Ah, poder exprimir-me todo como um motor.../ Ser completo como uma máquina!”.

 

São notórios em “Ode Triunfal” os seguintes aspetos ao nível do estilo:

  • Tendência contínua de humanizar as máquinas: “Grandes trópicos humanos de ferro, fogo e forças”; “E há Platão e Virgílio dentro das máquinas”; “exprimir-me como um motor se exprime”, etc;
  • O uso da ironia, para exprimir a face negativa da civilização industrial. Eis algumas frases com um expressivo sentido irónico:
    • “escrocs exageradamente bem vestidos”: além da ironia, está aqui presente a antítese entre a compostura exterior (vestuário) dos escrocs e as suas intenções:
    • “Chefes de família vagamente felizes”: o advérbio “vagamente” projeta sobre a felicidade dos chefes de família a sombra do cansaço (fartos de viver);
    • “Banalidade interessante.../ Das burguesinhas.../ Que andam na rua com um fim qualquer”: de assinalar são a palavra “burguesinhas” e a expressão “com um fim qualquer”, já que mostram a existência de uma antítese entre o aspeto exterior das burguesinhas (diminutivo irónico) e as suas obscuras intenções;
    • “A maravilhosa beleza das corrupções políticas, / Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos”: a adjetivação antitética assume aqui a forma de oximoro.
  • Outras antíteses presentes no poema são:
    • “Tudo o que passa e nunca passa”: exprime a concentração do passado no presente, ou a continuidade dos acontecimentos do dia-a-dia.;
    • “O ruído cruel e delicioso da civilização de hoje”: antítese que reflete os sentimentos contraditórios do poeta em relação à civilização industrial.
  • Presença de metáforas e imagens expressivas, tais como:
    • “Arde-me a cabeça de vos querer cantar”;
    • “Grandes trópicos humanos de ferro, fogo e força”
    • “Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável”
    • “Nos cafés, oásis de inutilidade ruidosas”
    • “Quilhas de chapa de ferro sorrindo”

Através destas imagens e metáforas, o sujeito poético mostra a forma como vibra com as coisas da civilização industrial (com a fúria do movimento das máquinas, com a excessiva quantidade de carvão). Além disso, dá também uma imagem muito negativa dos cafés, com ruídos inúteis; apresentando, ainda, a imagem dos navios ancorados: “quilhas de chapa de ferro sorrindo”.

  • A nível do estilo, podem destacar-se ainda:
    •  As frases exclamativas e as repetições.
    • As onomatopeias, relativas aos ruídos das máquinas;
    • As aliterações: “de ferro e fogo e força”; “Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa”
    • As interjeições e o ritmo rápido e excessivo.

 

 

Marcas de Modernismo, Sensacionismo e Futurismo presentes nesta “Ode”

Modernismo: as fábricas - “lâmpadas eléctricas”; os meios de transporte - o automóvel; a multidão - comerciantes

Sensacionismo: “sentir tudo de todas as maneiras” - Canto o presente, o passado e o

Futuro; As sensações em crescendo até ao delírio extático - tenho febre - rangendo os dentes; o excesso de discurso - os vocativos - as exclamações - as interjeições.

Futurismo: discurso caótico; variados tipos de letras; onomatopeias ousadas; desvios sintácticos:

- “fera para a beleza de tudo isto”;

- “de todos os nervos dissecados fora”;

 

“Ode Triunfal”: uma ruptura com a lírica tradicional portuguesa

Ruptura a nível formal: irregularidade estrófica, métrica e rítmica; uso excessivo da coordenação; catadupa de figuras de estilo (onomatopeias ousadas, apóstrofes e enumerações exageradas), discurso caótico...

Ruptura a nível do conteúdo: o uso de palavras completamente prosaicas (comuns ou vulgares); o canto excessivo da civilização industrial; a ousadia de tocar em alguns aspetos negativos da sociedade, etc.

 

 

by: Billinha às 12:28
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